sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Solidão a mil

Não penso que te possuo — nem quero te pertencer. E porque somos livres, transitória gostosura, eu me entrego como um ponto de luz nos teus olhos de mar e um toque sutil na tua pele de pêssego.

Eu te quero como um risco delicado, um perigo iminente, mas sem excesso de presença. Desse modo, nem meu mundo termina aqui, nem você será prisioneira de mim.

Não importa se isso dure, nem é preciso que se acabe; não sei se será sempre tão bom e nem busco certezas. Mas, como as delícias do agora me encantam — e bastam — até posso dizer que já estou começando a te amar.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Espírito Santo

Te respiro, sinto teu corpo, teu cheiro. Te inspiro, puxo seu folego, ouço o fundo do seu grito. Te respeito, aperto sua pele como nunca, te puxo como sempre. Fecho seus olhos com meu espírito, fecho teus lábios com meus lábios. Seu cabelo por cima do meu colo, minha boca por teu corpo. O corpo mexe, vagarosamente, entre o sim e entre o não - decerto já não sei quem sou. Teu grito, de novo, tua força em ser quem é. Por um instante, por vários instantes. Teu suor no meu corpo, meu corpo no seu corpo. A respiração - ofegante, e o espírito se torna santo novamente - o grito silência, o silêncio berra em meus ouvidos, a falta de ar me faz respirar e meu corpo deita sobre o seu num eterno descansar que dura quase 2 segundos. Abro os olhos novamente, o mundo não parou de girar. A noite não termina, dura para sempre.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

A madrugada acorda.

São 4 horas da manhã, tive que abrir os olhos.

A primeira coisa que você pode pensar é: - Não consegue dormir. Mas não, consigo dormir sim. Tanto consigo que estava dormindo a dois minutos atrás. Dormindo, sonhando, roncando, voando, viajando. Pensando.

Mal acordei a já começei a escrever. O travesseiro berrava palavras em meus ouvidos, o cobertor me cobria de poemas e rimas, logo peguei o papel e rabisquei dois ou três pensamentos. E bem no meio já enteni tudo, foram as idéias que me acordaram.

Elas - as idéias - me acordam e me fazem levantar, colocar o pé no chão,, as asas no ar e o minha jangada no mar.

E agora, cá estou, de olhos abertos, de caneta em mão, com um sono gigantesco mas escrevendo. Escrevendo e pensando em você. As idéias me fazem escrever, me entregar. A poesia tem de ser de corpo e alma.

Acordei pensando isso:
A poesia tem de ser de corpo e alma.


Pois é, me entrego e a poesia se entrega dentro de mim. E percebo:

Não fui eu que acordei, foi a madrugada que acordou dentro de mim.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Formidável

como se não houvesse mais o céu azul
e se não houvesse vida dentro da Vida
esqueci de muita coisa
mas logo desisti
de desistir de tudo
peguei uma foto
um bilhete
um caderno
qualquer coisa
que me fazia lembrar de mim
e escrevi
um verso
dois versos
três versos
algo em mim disse:
- já é um clássico
e eu
que nem um Arlequim cego
acreditei
e cá estou
escrevendo sobre o vento
sobre as nuvens
sobre a Liberdade e a Loucura

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Par ou Ímpar

E eles estão onde eu queria estar
Com quem eu gostaria de estar
Na hora que eu devia estar

Os três

Agora

Engraçado é transferir o carinho e amor que tenho por dois pro terceiro.
E sentir tanta falta dele como dos outros

Fernweh
É saudade de estar onde nunca esteve
Mas os meus estiveram, então eu também estive
Nas entrelinhas, no pensamento
No quarto lugar vazio na mesa

Poetas se perdem na solidão e se acham no conjunto
Há hora pra cada momento

É minha vez de se perder
Quanto à vocês, achem-se!
Não há nada melhor.

sábado, 19 de julho de 2008

aprdjemm

não se mexe
aprende meu corpo
deixa eu sumir dentro de tí
sacode por dentro
beba da minha boca o grito
e grita
bem alto
só pra eu ouvir

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Liberdade

Antes de mais nada, tiro os sapatos e sento no chão.
Assim, descalça e desarmada, posso dizer o que realmente quero.
Existem dias que não me sinto à vontade, nem vontade de dizer nada.
Emudeço.
E, descalça, sento no chão. E falo pra mim mesma em vozes que só eu sei decifrar.

Depois esqueço. E penso que talvez não devia pensar.
Me liberto, grito tudo que quero e descubro que a Liberdade é apenas mais uma estação da linha azul.